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Soweto: em sua viagem à Johanesburgo

por Alverson de Souza

Viajar para a Africa deveria estar nos planos de todo brasileiro. O continente é de uma riqueza impar, povo diverso e muito acessível financeiramente falando. Eu já tive o prazer de visitar alguns países africanos e quero sempre voltar. Sem dúvida alguma, uma das principais portas de entrada para o continente é o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Johanesburgo.

Johanesburgo é o grande centro comercial financeiro da Africa do Sul. Muita gente fica surpresa em saber que Johanesburgo não é uma das capitais da África do Sul. O país tem 3 capitais, Pretória (capital executiva), Bloemfontein (capital judiciário) e Cidade do Cabo (capital legislativa). Mas Johanesburgo tem sua importância decisiva na história do país.

Se você está entrando no país por Johanesburgo, eu aconselho você a gastar 1 ou 2 dias na cidade para tomar conhecimento de alguns importantes fatos no país. Não vejo necessidade de mais do que 2 dias na cidade. É claro que você pode encontrar diversos interesses e estender sua estadia, mas quero aqui te apresentar alguns lugares de interesse que serão facilmente visitados nesse espaço de tempo.

Museu do Apartheid

Esse é o único lugar que indico para você visitar que fica na cidade de Johanesburgo mesmo. Imperdível! O museu vai te transportar para uma era que vai exigir muito de sua cabeça para processar todos os eventos apresentados. Um daqueles museus que levam você a pensar e não conversar muito. Você fica em silêncio mesmo não sendo requerido de você o silêncio.

O museu, claro, apresenta toda a história de política de segregação perpetuado por uma minoria contra uma maioria do país. Conta de maneira clara e inequívoca como o país chegou aquele ponto, as imposições raciais e as muitas lutas que levaram a liberdade através de eleições democráticas em 1994.

Como interesse para as próximas sugestões de visita desse artigo, em visitando o museum, preste bem atenção na exposição permanente chamada “The Significance of 1976” (A Significância de 1976). Que vai ser útil em entender um dos nossos próximos tópicos aqui.

SOWETO – South Western Townships

Uma visita a Johanesburgo não é completa sem que você visite Soweto, a região famosa que abriga um significante número de ‘bairros’ ou distritos que outrora eram segregados do restante da cidade. Muitos eventos de luta e libertação foram planejados e executados em Soweto.

Casa de Mandela

Mandela morou na parte conhecida como Orlando West de Soweto. Como sabemos, Mandela ficou preso na prisão de segurança máxima em Robben Island por 18 anos dos 27 anos que passou aprisionado pelo regime de apartheid. Antes de sua prisão, Mandela morou nessa casa em Soweto, de 1946 a 1962. Depois de r27 anos preso, Mandela voltou com Winnie Mandela para essa mesma casa de onde ele recebeu o povo com as seguintes palavras: “Finalmente, eu voltei pra casa”. A casa não é grande, mas contém muitos ítens históricos. É uma bela experiência estar ali bem próximo de eventos mundiais tão próximos a nossa geração.

Uma curiosidade: você pode também visitar a casa de Desmond Tutu que fica na mesma rua da casa de Mandela. É dito muitas vezes que a Rua Vilakazi, onde ficam as duas casas, é a única rua no mundo onde moraram 2 laureados do Prêmio Nobel da Paz.

Museu Hector Pieterson

Também em Orlando West, em Soweto, fica esse museu que apresenta o centro de um dos eventos mais significativos e divisor de história na luta contra o apartheid: o levante de Soweto de 1976.

É dedicado ao menino Hector Pieterson que foi o primeiro estudante a ser massacrado no dia 16 de junho de 1976 quando as forças de segurança e a polícia abriram fogo contra estudantes que protestavam pacificamente a decisão do regime de apartheid de usar somente o inglês e o afrikaans como línguas oficiais de ensino nas escolas. O número de estudantes mortos naquele dia variam de 600 a 1000 estudantes, dependendo da fonte que se consulta. Lá é listado esse número como sendo 1000 estudantes.

O Museu Hector Pieterson está localizado a pouca distância de onde Hector foi atingido. No local há uma grande praça com várias placas comemorativas e painéis com a foto daquele evento, que ficou famosa em todo o mundo, o menino Hector ensanguentado e morto sendo carregado por Mbuyisa Makhubo, com sua irmã. Antoinette Sithole, correndo ao lado em desespero.

Se você tiver algum oportunidade ou acontecer de ser possível programar sua viagem, tente estar em Soweto no dia 16 de junho. Esse dia é feriado nacional em honra dos muitos estudantes que perderam a vida nesse dia. Todos os anos, uma multidão de sul africanos, normalmente acompanhados do presidente do país, reconstituem a marcha de protestos dos estudantes e fazem todo o percurso até o estádio de futebol sempre parando e relembrando os fatos daquele dia. Uma emocionante cerimônia acontece na praça memorial em frente ao museu onde todos os mortos são lembrados. A marcha daquele dia termina no Estádio Orlando onde acontece um grande festival celebrando todos os jovens do país.

O levante de Soweto levou para o mundo a imagem do genocídio e desigualdade que acontecia na Africa do Sul, mas somente depois de muitos anos é que o regime sangrento veio a cair.

Igreja Regina Mundi

Essa é a maior igreja católica da Africa do Sul e tem capacidade para até 7 mil pessoas. Um importante espaço de reuniões de ativistas planejando protestos e outras atividades. Nos protestos do dia 16 de junho de 1976, muitos estudantes correram para a igreja para se protegerem dos tiros da polícia. Mesmo assim, policiais invadiram a igreja e atiraram nos estudantes que lá se refugiavam. Você vai encontrar marcas nas paredes daquele fatídico dia.

De atenção especial ao quadro “The Madonna and the Child of Soweto” (Nossa Senhora e a criança), uma pintura mostrando a Virgem Maria e sua criança, ambos negros.

Há muito mais para se ver e viver em Soweto entre lojas com artesanato típico (além dos muitos vendedores ambulantes na rua dos museus das casas de Mandela e Tutu, restaurantes com comidas típicas e muita música. Destaca-se também o Teatro de Soweto, uma construção com blocos coloridos de grande importância para Soweto.


Foto: Shutterstock

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